mercoledì, maggio 28, 2008

Fazendo uma retrospectiva do modulo “comportamento da audiência” fui obrigada a fazer uma retrospectiva desde do dia 14 de abril de 2007 que foi o dia da aula inaugural dessa primeira turma do pós graduação. Dia esse que eu como um Porto Alegrense formada já a 7 anos voltei a experimentar a sensação de estar num lugar tanto desconhecido como cheio de possibilidades e curiosidades.

Lembro bem de pensar como a minha própria postura em aula era diferente da postura do primeiro dia de aula na universidade em meados dos anos 90, quando fui bixo na PUCRS. Notei que eu realmente tinha interesse de estar ali, estudar e discutir aquele assunto, com aquelas pessoas que também estavam ali naquele sábado de manhã dividindo os mesmo interesses. Cheguei a me re-posicionar na cadeira quanto notei que o fato de eu estar numa sala de aula sábado pela manhã não era um sacrifício e sim um prazer.

Dessa forma tem se passado os últimos sábados do ano. Com discussões brandas e calorosas sempre envolvendo de alguma forma o fazer da televisão.

Ao começar do segundo módulo do curso foi então que começamos essa cadeira de comportamento da audiência. No início tive uma certa resistência pessoal lembrando das penosas aulas de mídia e de estatísticas da faculdade de publicidade, mas ao mesmo tempo com a aplicação dos indices na realidade até calculos estranhos, como coeficiente alfa e beta, ganham seu lugar ao sol.

A longo desse módulo algumas críticas em exigências da turma foram crescendo em relação ao funcionamento geral do curso. Começamos a cobrar conteúdo e trabalhos. Acertos com a coordenação que fazem parte numa primeira turma, meio que cobaia do pós graduação. A turma quer muito estudar, e ser cobrada disso, queremos receber infomração e discutir, aprender, ler e fixar, e não que passem a mão na nossa cabeça porque trabalhamos e levantamos sábado de manhã para estudar.

E o módulo de comportamento de audiência cumpriu essas expectativa. Talvez também pela a quantidade de índices estudados em alguns momentos parecia meio massante as aulas, mas com a análise de casos a coisa sempre provou a que veio.

Dessas forma o trabalho de conclusão veio ao encontro de termos um omento de discutir e aplicar as coisas que tínhamos aprendido, ou mesmo de conseguir avaliar o que tínhamos aprendido. O trabalho no início pareceu um pouco confuso, “vocês seram emissoras e cliente ao mesmo tempo”, “quem fala para quem?”, “quantas pessoas por grupo?”, “qual o prazo?”, “qual o formato de entrega?”, enfim aos poucos fomos sanando as dúvidas da sistemática do trabalho e moldando o que seria uma divertida experiência.

Eu acabei por fazer parte de um grupo com mais 4 colegas, e antes de tudo achei que ia ser interessante, pois apesar de eu conversar sempre com os esses meninos da não tinha tido a oportunidade de fazer um trabalho com eles. Começamos o raciocício, então. Primeiro encontro: era o momento de sermos clientes, escolhemos o sabonete DOVE tínhamos que formatar um briefing para repassarmos a “emissora” que iria nos atender. Fui buscar as minhas antigas aulas de criação e atendimento de publicidade e pensar que itens eram obrigatórios em briefing. Um breve histórico do produtor (caçado na internet), uma evolução do target atual do produto e, por fim, a terminação de um objetivo, um prazo e um verba estipulada para eles realizarem. Esse foi o encontro mais simples do nosso grupo, depois de debatermos algumas idéias de objetivos, de nos questionarmos se queríamos lançar um produto novo, ou fixar a marcar, ou re-posicionar a marca, partimos para um reposicionamento para homens de classe CDE.

Com essa primeira parte do trabalho entregue, recebemos nós (enquanto emissoras), também o briefing do nosso produto, Guaraná Antártica. A segunda reunião foi o momento de entender o que o briefing recebido dizia. E de começar a OLHAR as tabelas cheia de NUMEROZINHOS enviadas pelo o professor e de começar a , então, LER e interpretar o INDICES que ali estavam, cruzando dados. Nesse segundo encontro foi o momento de tentar decidir por qual caminhos íamos defender a nossa EMISSORA B para poder convencer as meninas do Guaraná Antáctica a investirem com a gente. Descobrimos que a nossa emissor era a que possuía os maiores índices de rating no universo, em relação com a dos outros grupos. Mas a primeiro momento queríamos era brincar com os índices mais interessante, como fidelidade, afinidade, alcance indices esses que parecem dizer um pouco mais do telespectador do que simplesmente se eles assistiram ou não o programa. Saímos, então, desse primeiro encontro querendo mais informações, a respeito do nosso produto e da nossa emissora. Foi o momento do feedback e das dúvidas com o professor, na semana seguinte enviamos email e trocamos alguns telefonemas e decidimos algumas pergunta a repassar para o professor perguntando por mais alguns dados específicos.

Recebendo esses dados veio então o terceiro e quarto e encontro do grupo, cada um trazendo, como combinado, as suas próprias anotações a respeito do que tinha intrepretado e como acharia interessante aplicar aquele dado. Eram 10 da noite e nos pediam para sair da sala de leitura da Faap, as conversas continuavam via dezenas de email. Eu decidi nesse momento começar a configura as minhas idéias e dos meus colegas que recebia por email já num formato de apresentação, colocando num powerpoint da vida, dessa forma lá começaram a aparecer todos os pontos que queríamos comentar ainda de forma desorganizada, mas já com alguma estrutura inicial. Fomos por um lado que decidimos que o último slide da nossa apresentação deveria ser um slide que resumisse o investimento do nosso cliente, mostrando o quanto ele gastaria, qual seria o GRP atingido, qual seria o alcance e qual seria o custo por mil. Se conseguíssemos ao longo do powerpoint explicar o nosso raciocínio para chegar aquele resumo teríamos um trabalho objetivo.

E assim a cada dia o arquivo da apresentação ia de um para outro voltando sempre com novas observações e ficando cada vez mais completo e organizado. Fomos buscando tabelas de preços reais para poder montar, brincando com números de inserções e de GRPs, fazendo pequenos cálculos que nos fixaram o porque de cada índice . Em um certo momento sentimos falta de um objetivo de GRP, isso foi no quarto ou quinto encontro. Eu sentia falta de ter um objetivo como “vocês [emissora] precisam nos fornecer um numero X de GRPs para a gente [cliente] ficar contente” . Dessa forma eu saí pesquisando os mais diversos sites em busca dessa informação até que no UOL achei uma informação que podia nos servir de guia, embora, agora já entendendo um pouco mais, eu via aqueles números fornecidos pelo site como talvez não tão precisos.

Assim optamos por usar um objetivo de GRPs embora o foco do trabalho fosse o raciocínio que partiu daquele objetivo e não como o objetivo tenha sido traçado, pois questionávamos a informação da grande world wide web. Ultimo encontro do grurpo. Uma noite de quinta-feira antes da apresentação. Momento de fechar tudo, revisarar numerozinhos e ficar contente com o resultado. Era meia noite e decidimos que o raciocínio já estava completo. Fui para casa contente de que existia uma lógica no “power point” e que íamos conseguir passar aquilo para turma.

Sábado, dia da apresentação, ainda revisei alguns números e o cálculo de custo mil estavam um pouco errados, mostrando um valor mensal e não trimestral da campanha inteira, alterei rapidamente antes da apresentação. E lá fomos nós para frente da turma que estava curiosa para saber como cada grupo tinha elaborado o seu raciocínio. Após a nossa apresentação que instintivamente foi liderada por mim e agregada por comentários dos meus queridos colegas, um alívio, tinha saído tudo bem.

Agora tendo passado já e fazendo uma análise consigo apontar o que poderia ter sido melhor. Acho que nos fixamos muito nos dados e no expor no “papel” o nosso raciocínio, mas faltou um pouco de ensaio da apresentação em si. Nós enquanto profissionais somos também um pouquinho atores, quando na frente de uma platéia de clientes, e esse ensaio de palco e de interação entre os colegas e a apresentação ficou um pouco prejudicado, algumas pequenas gaguejadas e algumas pequenas hesitações do que falar naquele momento. O estar na frente da platéia para mim nunca foi muito agradável, mas é como ser chamado para dar uma pequena palestra, uma pequena aula ou mesmo essa presentar de traabalho em aula ou para clientes, tem que ter um ensaio, talvez olhando no espelho e pronunciando as palavras que imaginamos, para, ao ouvir, decidir se elas realmente fazem sentido.

Em geral nos saímos bem, e estou contente com a forma que tudo foi apresentado, dificuldade maior que encontrei foi essa falta do ensaio que acho que pode ter prejudicado a apresentação em si. Mas no mais hoje eu me sinto uma pós graduada em tudo que os índices do ibope e pesquisa de audiência podem nos fornecer, me sinto capaz de interpretar esses dados e utilizá-los para o meu trabalho, ou mesmo comentá-los corretamente numa mesa de bar. O estudo nos fortalece.

sabato, ottobre 27, 2007

A Nova Caixa Preta


Estamos vivendo um momento crítico no que toca a história e o rumo da televisão e das tecnologias envolvidas. Ainda não se sabe muito bem para que lado as coisas vão andar, mas sabemos que tudo deve andar muito rápido e, ainda, cada vez mais rápido. E sabemos que a nossas escolhas (nós enquanto profissionais de comunicação e líderes desse núcleo) serão de extrema importância dentro desse momento de escolha de caminhos a tomar.

Assim como o surgimento da televisão nos anos 40 a internet teve o seu boom nessa última década, que propiciou o enriquecimento de milhões e o surgimento não só de uma nova forma de comunicação, mas também uma nova forma de transmissão de informações e uma nova forma de entretenimento. O que vivemos agora é o início da confluência dessas duas tecnologias. INTERNET e TELEVISÃO, que estão caminhando juntas. Provavelmente o que teremos na nossa casa, num futuro não muito longínquo, será a junção das duas.

Falamos aqui de televisão como veículo, com forma de transmissão de informação e como principal forma de entretenimento da grande população, como veículo de comunicação de massas. Também entra em questionamento o formato pelo o qual temos acesso a esse conteúdo. A famosa caixa preta dentro de casa continuará a existir? Os valores culturais que começaram a ser intrínsecos da sociedade desde seu lançamento continuarão a ser os mesmo? Como isso tudo será recebido e adaptado por todos nós. Ou melhor: qual a melhor maneira de organizar e liderar as coisas nesse momento de transição?

É essencial que num primeiro momento identifiquemos o que caracteriza esse momento crítico. Temos que identificar quais são essas novas tecnologia e como isso tem sido recebido pela a sociedade. Além disso, não podemos deixar de ter nossa mente para o futuro, enxergando quais são as novas surpresas que, principalmente a tecnologia, pode nos oferecer. Temos que nos preparar para a situação atual e a situação futura.

A situação atual é cheia de falhas que serão sujeitas a adaptações tanto do público, e aparelhos, quanto o dos produtores e emissores de conteúdo.

Vemos que o entretenimento via televisão (imagens e informação), é cada vez mais marcado pela mobilidade e individualidade, seja através de computadores, laptops, celulares, balckberys, ipods, dvds portáteis, televisores nos carros, entre outros.

Essa primeira característica de mobilidade afeta a postura atual que temos perante a TV. A TV deixa de ser uma coisa para assistir na sala jogado no sofá e passa a ser algo que está sempre com cada um. Ao mesmo tempo existe uma resistência das pessoas de assistirem filmes no computador, por exemplo. Isso é um comportamento que está em transição. O ato, que vem sendo passado de gerações em gerações, de como assistir TV está mudando. Como disse, não sabemos que tipo de caixa preta teremos em casa, se vai ser algo mais parecido com o computador, ou com a televisão, ou se algum aparelhinho irá juntar os dois, mas sei que a nossa postura perante esse aparelhinho será diferente.

Nossa postura perante o computador irá mudar. Mas para isso acontecer temos um problema básico, que provavelmente já está com uma solução sendo desenvolvida por cientistas tecnológicos, que é a conexão com world wide web que estamos acostumados. A velocidade tem que aumentar, pois ninguém realmente vai abrir mão da instantanedade do controle remoto. A futura televisão terá a rapidez da channel surfing com a variedade da web surfing. E isso é algo que cada vez mais (e sempre) será exigido pelos consumidores.

Assim citadas as principais situações problemas em termos tecnológicos e sociais (a postura das pessoas perante a TV/ INTERNET e a velocidade da conexão e o como juntar a TV e a INTERNET EM UMA SÓ). Podemos enumerar algumas das situações que decorreram disso.

Exclusão Digitak. No Brasil temos um grande problema de exclusão digital, temos que trabalhar para inserir um número maior de pessoas nesse hábito. Obviamente, assim como a Televisão dos anos 40 as novidades tecnológicas acabam surgindo da classe superior para aos poucos ir se tornando mais acessível, temos que trabalhar essa acessibilidade, o que nos leva ao nosso segundo problema evidente.
O preço dos computadores e das novas televisões (plasma e LCD) que são as primeiras coisas que estamos vendo que começam a mostrar a junção dessas duas transformações tecnológicas.
Conhecimento tecnológico/ Qualificação do consumidor. A qualificação dos nossos clientes é o que vai fazer com que eles consumam as coisas novas que vem pela frente. Mantermo-nos leigos perante as inovações torna-se inaceitável. Hoje em dia, para se comprar uma televisão é necessário aprender qual o tipo de tecnologia que temos a venda para sabermos qual é a que mais nos interessa. Mas esse conhecimento não é algo simples como escolher feijão preto ou carioquinha. É algo que está além do nível de estudo da grande maioria da população. Esse conhecimento tecnológico tem que ser expandido e divulgado de forma que cada consumidor compre realmente aquilo que deseja.
Individualidade. A tendência do “só”. Cada vez mais fazemos tudo sozinhos, sem a presença de outros, claro que temos contato com pessoas através de internet, telefone, mas cada vez mais se está só. Isso leva também a individualização do lazer e entretenimento, o que nos leva a um próximo ponto crítico.
Conteúdo/ Publicidade. Coloco as duas coisas juntas, pois uma modifica a outra. O tão aclamado fim da publicidade não ocorrerá, mas a publicidade mudará. Não acabará porque a televisão é um produto oriundo do capitalismo e, portanto, indissociável. Mas as pessoas cada vez mais terão a maneira de acessar somente aquele conteúdo desejável. Então, a produção de conteúdo provavelmente vai ter uma disparada em relação a produção publicitária, mas isso não que dizer que empresas não estarão envolvidas nessa produção de conteúdo, agregando valor a suas marcas. Esse ponto de conteúdo é um dos que acredito que mais sofrerá mudanças. Pois ele reflete e irá ser parte da solução do problema da “postura perante a TV”
Diferenças sociais, culturais e monetárias. Com todas essas novas informações surgindo a cada dia não podemos ignorar as diferenças do público/ consumidor. Urge a necessidade de qualificarmos a grande massa. Estamos falando de um veículo de comunicação de massas, e nós temos o dever de manter o nosso consumidor ciente das alterações que estão acontecendo e informar ele de maneira correta. Não adianta termos um veículo que oferece toda a rapidez e toda a variedade se ele é muito complexo. A interface e o conhecimento devem ser de acesso fácil. Deve existir uma comunicação entre esse consumidor e nós consumidores, uma comunicação orientada, muitas vezes qualificada na pessoa do vendedor.
Ética. Com o boom de tudo isso, e a confusão que sempre caracteriza um momento de transição, temos que ter valores morais éticos bem estruturados dentro de cada um de nós comunicadores. Pois estamos produzindo conteúdo e criando soluções para algo que vai ter um impacto tão grande ou maior do que a televisão teve. Não existe uma legislação para o que tem sido feito e as leis não tem acompanhado e nem vão acompanhar a velocidade dessas mudanças. Nossos valores devem ser bem fundados e não regidos pela a ganância, de forma que seja algo a favorecer o todo e não somente intensificar o imperialismo perante o consumidor.

Agora sim. Identificamos quais são as mudanças, enumeramos quais são os principais pontos críticos dessa mudança. Temos então as principais ferramentas para poder liderar esse momento de transição. Outras ferramentas serão de extrema importância nas tomadas de decisões, como pesquisas de consumidor e de tendências. Devemos nos cercar de ferramentas de decisão antes de colocar um ponto final.

Estamos vivendo uma nova era de industrialização. Uma re-formatação a nível organizacional é eminente. Não podemos negar o monopólio da informação existente nos departamentos informáticos e como isso afetaria os mais simples negócios. Assim como Chaplin ironizou a mecanização das funções teremos uma informatização das funções. Imagine quantos vendedores serão desnecessários no momento que a maioria das vendas forem realizadas via internet.

Da mesma forma veremos uma necessidade de qualificação profissional, como disse antes, um vendedor de televisão terá um compromisso com o conhecimento tecnológico, para poder entender o que o comprador quer e poder vender o que lhe satisfará, além de conseguir explicar à esse comprador o que ele está comprando. Isso no que toca o mercado de bens de consumo onde a televisão como caixa preta se insere, mas e no mercado conteúdo, por exemplo?

Como gestor de uma emissora, a televisão como veículo, as coisas também tendem a mudar, a configuração que temos hoje de produção televisiva já está se alterando. Atualmente, o gerir de uma emissora é cada vez mais administrar o conteúdo exibido (sendo ele comprado) do que propriamente se envolver na produção de cada programa. Talvez ainda com exceção do jornalismo televisivo. O produtor executivo da televisão do futuro, será mais é alguém de administração e gestão de recursos do que alguém oriundo da produção televisiva, propriamente dita.

Temos que ter líderes que se cerquem de informações da situação, que saibam os problemas as serem solucionados, que saibam o modo do processo atual e que vislumbrem o melhor caminho a ser tomado daquilo que o futuro pode nos oferecer, que tenham, também, valores éticos embutidos para tomarem essas decisões, que serão os tijolinhos da estrada para sair desse momento de transição para uma nova cena televisiva.

CORTA!
Ser.Ter.APARECER.Ser.Ter.
LAURA FUTURO


Guy Debord acredita que a última instância na sociedade capitalista é resumir a sua aparência, o seu real e também a sua mercadoria no que ele chama de Sociedade de Espetáculo. O ter do homem capitalista deve ser propagandiado, de modo que essa imagem seja invejada e desejada, até que a imagem desse ter se torne a mercadoria final em si . O ápice de se comprovar como um homem capitalista é o tornar-se aquilo que nos aparece, que nos é vendido, dentro da forma consumista que o capitalismo e a mercadoria abundante se resumiu.

O espetáculo é o capital em tal grau de acumulação que se torna imagem . Assim como a sociedade do espetáculo o aparecimento da televisão tem como princípio o capitalismo. A televisão tal qual conhecemos hoje, como principal meio de comunicação de massa só poderia acontecer dentro dos princípios capitalistas. A televisão, seja sua produção ou resultado transmitido, nada mais é do que um produto criado e consumido como real, apesar de ilusório.

Juntando essas duas premissas falar sobre sociedade do espetáculo como aponta Debord, dentro da rotina situacionista, é praticamente falar sobre a televisão e o efeito que ela tem em cada pessoa e por conseqüência na sociedade em geral.

No livro O Vidiota de Jerzy Kosinski, Chance é o personagem principal. Um homem que se socializou através da sociedade do espetáculo. Que teve toda a sua vivencia e experiência criada junto ao zapping da televisão. Sem qualquer contado com a grupos sociais. Não conhecia nada além daquilo que acontecia na sua casa, no seu jardim e antes de tudo isso não reconhecia nada daquilo que não tivesse aprendido pelas imagens geradas por um tubo de luz e uma antena.

Ele enxerga a realidade como mais uma imagem da TV, e tem dificuldade de separá-las. O tradutor deu um nome criativo mas já indutor ao misturar as duas palavras (vídeo e idiota), isso se deve a ausência de pudor, malícia, interesse da personagem com o mundo real. Chance é um simulacro do que aprendeu na televisão, que por sua vez já é um simulacro do mundo real. Ou não? Já serão as imagens da televisão o real. Ou razão final do consumo?

Quando o mundo real se transforma em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico

Eis porque o comportamento idiotizado de Chance. O jardineiro que podia vestir-se elegantemente com as roupas do patrão e acaba sendo desalojado de casa com a morte do padrão nada mais é do que a de um ser humano já hipnotizado pelo o espetáculo que o circunda. O espetáculo é a ilusão material da ilusão religiosa . Se a religião por si só já é um ilusão capaz de levar multidões a agir, ou a não agir, imagine o poder da ilusão materializada da religião. Se assim for, estamos sujeitos de tal forma a força ao domínio das imagens e do espetáculo que não nos resta muito de livre arbítrio.

No livro de Kosinski podemos pinçar dois exageros ou criticas ao espetáculo e à força que exerce dentro do mundo capitalista. Digo dois pois Chance é posicionado primeiro como espectador, portanto como um proletário operário, que está ali a receber as informações/ mercadorias fornecidas pela a televisão e depois posicionado como mercadoria aparecida, revendida, como alguém que, sem conhecimento da importância das coisas reais, passa a ser aceito na sociedade, através da mídia e passa a ser levado como real e como objeto de desejo, embora esse sequer tenha noção do real que está representando.

É um pouco uma bola de neve, para usar uma expressão bem popular. Chance aprende tudo que sabe da televisão e depois vai aparecer na televisão e falar sobre aquele tudo (que nada mais é além do aprendizado do surfing channels e algum conhecimento de jardinagem adquirido na pratica sozinho) e será recebido pela a população em geral como verdadeiro.

Até que ponto o sucesso se dá ao acaso? Isso ainda está em estudo, mas que o acaso ajudou Chance a obter sucesso ajudou. Ele é justamente atropelado pela a esposa de um importante empresário que está no leito de morte. Por intermédio do casal ele passa a freqüentar a alta sociedade econômica e política do Estados Unidos. Como suas respostas são sempre com temáticas jardineiras, a alta sociedade leva isso como metáforas bem aplicadas no expressar a opinião. Afinal: se você parece bom, você é bom porque aparece. Na história basicamente é isso: se Chance está do lado do presidente falando isso alguma razão deve ter.

O espetáculo nesse ponto é inquestionável. Não há margem de dúvida para pensar que Chance seja um impostor, apesar de nenhum órgão oficial ter dados a respeito dele, ele é respeitado pela a comunidade intelectual, não só respeitado como, no fim, ele é escolhido para representá-los, como uma figura capaz de agregar várias pessoas pela comunicação de massa. A sua alienação é ignorada e tornarda um charme. Os homens produtores do espetáculo enxergam isso e sabem como usufruir, mas ao mesmo tempo não se questionam sobre Chance, afinal eles também estão a mercê do espetáculo que passou a ser o jardineiro.

O sucesso de Chance, um simples jardineiro idiotizado pela a televisão é uma prova concreta de que o mundo suposto no romance vive completamente dominado pelo o espetáculo. O conjunto de conhecimentos que continua a se desenvolver atualmente como pensamento do espetáculo deve justificar uma sociedade sem justificativas e constituir-se em ciência geral da falsa consciência . O sucesso de Chance justifica e comprova a sociedade do espetáculo que ali se vive.

Numa linguagem romanceada e numa linguagem acadêmica, mas nem tanto formal, tanto Kosinski quanto Debord criticam da mesma forma a sociedade capitalista que vivemos que está dominada pelo o seu próprio produto que é o espetáculo. Dois importantes tratados com o olhar crítico do mundo imaginético que estamos vivendo e, apesar da rápida evolução dos meios de comunicação e das mídias do espetáculos ambos são atuais e leituras necessárias dentro da visão crítica da sociedade e dos produtos espetaculares produzidos pela a televisão.


DEBORD, Guy- Sociedade do Espetáculo. P.25
DEBORD, Guy- Sociedade do Espetáculo. P.18
DEBORD, Guy- Sociedade do Espetáculo. P.19
DEBORD, Guy- Sociedade do Espetáculo. P.127

giovedì, gennaio 15, 2004

A felicidade medíocre pode ser um objetivo em várias fases da sua vida. Afinal, nada como almejar aquela felicidade de pessoa comum, aquele estado de espírito calmo e resignado. Você começa a desejar muito isso quando está no fundo do poço e gostaria de se contentar com o simples fato de comprar pão no domingo à noite. E ver o fantástico depois.

Mas não adianta você QUERER ter a felicidade medíocre. Ela só é atingida verdadeiramente por quem não esta nem aí se é feliz ou não. As pessoas simplesmente são felizes e pronto! Aqueles que se contentam quando o ônibus não demora, quando toca uma música boa no rádio, quando sobra um troco no supermercado.

Só que Você nunca vai conseguir fazer parte dos possuidores da Felicidade Medíocre. Porque Você pensa muito, e as pessoas-que-pensam-muito não conseguem atingir esse nível de cntentamento. E isso é um saco! Seria ótimo acordar um dia e ficar feliz assim, sem mais nem menos.

De 02neurônios

martedì, agosto 26, 2003

Beijão!!!!